Wagner Padua

BRASÍLIA – Ter o próprio negócio é um sonho de muitos brasileiros. Nos últimos anos, com a acentuação da crise econômica, muitos deixaram seus empregos, a maioria porque foram demitidos e optaram por criar pequenas empresas. É promissor a ideia de que eu posso ser o meu próprio patrão e não mais terei que obedecer regras, horários, chefes. Todo o ganho será revertido a mim, logo, posso ganhar muito mais dinheiro.

Infelizmente, a realidade não é bem essa. Deixar a vida de empregado, de carteira assinada, e simplesmente passar a ser empresário não é fácil assim e esse processo não acontece da noite para o dia.

Primeiro porque vai exigir novas habilidades e competências, principalmente voltadas as ciências gerenciais, que muito provavelmente a pessoa não tem. Isso significa estudo, conhecimento, formação profissional. A era do sucesso empírico, sorte ou feeling prático já passou.

Segundo porque o mercado “não está pra peixe”. A concorrência é grande, o consumidor exigente, as demandas crescentes. Além disso, o cenário econômico do país não ajuda, porque a renda da população caiu, a taxa de desemprego está alta e o crédito restrito. Os tributos são altos, as fontes de financiamento restritas e a disponibilidade de pessoas talentosas no mercado está baixa e quando se encontra, os salários são mais altos.

É…empreender no Brasil não é fácil. Os desafios são grandes. Não há no país uma política de Estado voltado efetivamente para o fomento de atividades empreendedoras. Há sim algumas entidades privadas, como o SEBRAE, que ainda tenta apoiar pequenas e médicas empresas, mas tudo é ainda muito tímido diante das enormes necessidades de inovação. Mas há algum caminho? É possível reverter esse quadro e desenvolver projetos e políticas públicas voltadas para esse fim? Certamente sim.

Tudo começa com a educação. É preciso um ensino fundamental e médio sério, de qualidade e que prepare o jovem para ingressar nas escolas de formação técnica e profissional. Alunos bem formados, são aqueles capazes de questionar, pensar, analisar e criticar situações, cenários e contextos. É necessário desmistificar o ensino técnico e profissionalizante no Brasil. Essa formação é essencial para as empresas, porque forma o colaborador em áreas específicas de atuação, que exige alto conhecimento técnico. São esses profissionais que os empreendedores tanto precisam quando montam seus negócios. Cursos específicos sobre gestão e empreendedorismo, tanto em nível técnico quanto superior, devem ser estimulados, para capacitar empreendedores.

Outro ponto importante é atuar na facilitação administrativa para se abrir e conduzir empresas no Brasil. É urgente desburocratizar a abertura de empresas no Brasil, dinamizando, customizando e unificando órgãos responsáveis. A simplificação tributária (já temos o SIMPLES NACIONAL) é um avanço. Mas precisamos ter políticas de fomento, crédito e capital de giro voltados especialmente para o empreendedorismo no Brasil. O BNDES pode sim ser uma destas fontes, juntamente com outros bancos de fomento (como o BDMG).

Finalmente defendo a facilitação da captação de talentos vindos do exterior. O Brasil tem políticas migratórias extremamente fechadas e restritas a estrangeiros que queiram trabalhar no Brasil. Mão de obra especializada é bem vinda na maioria dos países do mundo, mas o Brasil insiste com paradigmas socialistas de que a vinda de um estrangeiro tiraria o emprego de um brasileiro. A questão não é essa. O país necessita muito de gente especializada, com visão globalizada, experiência. Pessoas competentes agregam capital intelectual e tecnologia. É preciso flexibilizar a autorização de vistos de trabalho no país, principalmente para determinadas funções.

Empreender no Brasil sempre será um desafio. Mas com políticas públicas focadas e consistentes, um ambiente de negócios mais transparente e ágil, pessoas mais bem capacitadas e apoio financeiro é possível criar um cenário próspero, gerador de renda e emprego e acima de tudo: de inovação!

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