Wagner Padua

O mais atual ranking do QS World Universities Rankings 2018, que mede as melhores universidades do mundo expôs, mais uma vez, a triste e conhecida realidade do ensino brasileiro. A má qualidade de nossas escolas, e aqui, no caso, do ensino superior. Com destaque para as universidades americanas, inglesas e asiáticas ( isso mesmo, as asiáticas!), o ranking não apresenta nenhuma brasileira entre as 100 melhores. A USP ficou na posição 121, a UNICAMP em 182 e a UFRJ em 311. As razões para essa baixa performance são muitas e complexas. Começa com os baixos recursos investidos em educação, em infra-estrutura de ensino, que se estende aos baixos investimentos em pesquisa, em remuneração de professores, em tecnologia. Mas amplia-se para uma lamentável realidade que envolve as políticas estratégicas de Estado para a educação.

Infelizmente, somos um país que pouco valoriza o mérito, a competência, o conhecimento. Nosso modelo aristocrata de sociedade privilegia o TER, em detrimento do SER. No Brasil, é reconhecido quem TEM, bens, títulos, prestígio, cargos. Quem É, competente, letrado, estudado, ético, fica a revelia, é pouco percebido.

Temos uma legislação frágil e tolerante, um modelo de governo preocupado com o número de alunos matriculados, e menos com a qualidade de formação destes alunos. Vivemos em um país onde reprovação não é aceita, o aluno está empoderado e faz o que quer, os professores estão desmotivados e desatualizados ( mas que estímulo eles tem para se aperfeiçoar?).

Precisamos mudar o modelo de ensino no Brasil. Precisamos de regras mais rígidas, claras e que efetivamente possam regular o mercado, exigindo das instituiçoes de ensino o investimento e a qualidade necessária para entregar o valor final aos alunos: qualidade de ensino!

Chega de faculdades insignificantes, localizadas nos grotões do pais, com nota 4 do mEC ( pasmem, a USP tem nota 5!). Temos que parar de mentir para a população e para os nossos alunos.

Basta de faculdades que “fingem” ter mestres e doutores, mas na verdade estes só funcionam como ferramenta de acreditação no MEC, sem nenhum envolvimento com a comunidade acadêmica.

Já passou da hora de estimular o investimento em tecnologia, em novas metodologias de ensino, na diversidade e internacionalização de professores e alunos, em pesquisa e inovação.

A competitividade no mundo está grande e será cada vez maior no futuro. É melhor acordarmos logo, antes que seja tarde demais.

Prof. Wagner Padua Filho é médico e administrador, com MBA na FGV, Doutorado na USP e pós Doutorado na U Florida – USA. É professor há 15 anos dos MBA’s da FGV e é pré-candidato a Deputado Federal por MG.

Veja o ranking completo aqui.

Deixe uma resposta

dezesseis − nove =