Wagner Padua

Recentemente, principalmente após a greve dos caminhoneiros, está em pauta uma grande discussão sobre os preços dos combustíveis no Brasil. A preocupação se justifica, e o debate também, afinal esses produtos impactam sobremaneira tanto no dia a dia do cidadão quanto no custo das empresas. Seus reflexos na economia, tanto nos índices inflacionários quanto no crescimento econômico são bem conhecidos.

O setor de energia é extremamente estratégico para um país. Por isso, entender bem todas as variáveis que interferem nesse setor, tanto do ponto de vista econômico quanto político, torna-se relevante, em uma época de importantes decisões sobre o futuro do Brasil.

Vamos discutir então, porque a gasolina e o diesel são caros no Brasil. Argumentos nacionalistas, protecionistas, as vezes passionais, tem inundado a internet de notícias mas, infelizmente, a maioria desprovida de conhecimento.

A primeira razão dos altos preços dos combustíveis está ligado ao preço do petróleo internacional. As constantes crises no oriente médio, agravados recentemente com a piora das relações entre USA e Irã, tem influenciado o cenário externo. Os países produtores de petróleo reduziram a produção (oferta), o que agravou o cenário. Antes cotado a U$ 40, atualmente está em torno de U$ 80 o barril. Claro que isso impacta no preço do combustível.

A segunda razão é cambial. O real tem se desvalorizado, juntamente com outras moedas de países emergentes, devido a razões externas e internas. Externamente, a política de juros nos USA ( que está sendo elevado, atraindo os investidores) e a desconfiança em relação ao quadro político brasileiro e ao maior endividamento de nosso país tem elevado o dólar. Internamente, a crescente dívida pública, a inércia do governo em promover as reformas econômicas e a instabilidade política também influenciam negativamente nossa moeda.

A terceira razão está relacionada ao monopólio da Petrobrás. Por ser estatal, é a única responsável por lei pelo refino do petróleo e tem a prioridade na exploração. Sendo estatal, gigantesca e monopolista, torna-se menos eficiente e menos produtiva, além de inibir os efeitos que a livre concorrência promove no mercado, dentre elas, maior oferta e maior competitividade, com redução de preços.

A quarta razão também está relacionada a Petrobrás, mas agora com o seu sucateamento. Alvo de constantes ingerências políticas nos últimos anos, seja pelas indicações políticas em seus quadros diretivos (muitos com competência duvidosa!) seja no controle artificial dos preços para controlar a inflação, teve seu caixa corroído, seus lucros comprometidos e sua capacidade de investimento reduzida. Sem falar no assalto promovido pela corrupção, que simplesmente arruinou a empresa! Sem investimentos, a inovação é comprometida, a produtividade cai e a capacidade de produzir petróleo e derivados de forma competitiva, a baixos custos, fica aquém das necessidades globais.

A quinta e última está relacionado ao custo Brasil, que impacta todos os nossos produtos e não seria diferente no combustível. A carga tributária é exorbitante! Claro, precisamos sustentar um Estado gigantesco, incompetente e falido. Além disso, outros custos como os altos impostos trabalhistas, custos operacionais (por ser estatal), dificuldades logísticas, fazem com que o combustível produzido no Brasil seja mais caro, quando comparado a outros países.

É… entender a complexidade do Brasil não é fácil. Precisamos mudar isso, com políticas consistentes, um projeto de Brasil de longo prazo e um amplo debate estratégico na Câmara dos Deputados, verdadeiro palco das discussões e debates sobre o futuro do Brasil.

 

Prof. Dr. Wagner Pádua, é prof de MBA da Fundação Getúlio Vargas e Pré-candidato a Deputado Federal

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